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Águas-vivas em Ilhabela: entenda por que o verão favorece o aumento desses seres vivos

Publicada em: 01/12/2025 14:42 -

Ilhabela registra aumento de águas-vivas no verão. Entenda o fenômeno, saiba identificar espécies e veja como agir em caso de acidentes.

Com suas praias de águas claras, biodiversidade exuberante e forte influência das correntes oceânicas, Ilhabela costuma registrar maior presença de águas-vivas e caravelas-portuguesas nos meses mais quentes. O fenômeno, comum no litoral paulista, desperta dúvidas entre banhistas e exige atenção à segurança, especialmente durante a alta temporada.

Além disso, o aumento da temperatura da água, a maior luminosidade e as alterações nas correntes marítimas criam condições ideais para a aproximação desses organismos à faixa costeira.


O que são águas-vivas?

As águas-vivas são invertebrados marinhos pertencentes ao grupo dos cnidários, o mesmo das anêmonas e corais. Seu corpo possui:

  • Epiderme (camada externa)

  • Gastroderme (camada interna)

  • Mesogleia (camada gelatinosa entre as duas)

Elas utilizam células urticantes, chamadas cnidócitos, para defesa e captura de presas. Portanto, o contato pode causar desde irritações leves até queimaduras dolorosas, dependendo da espécie.

Embora possuam estrutura simples, seu papel ecológico é essencial na cadeia alimentar, servindo de alimento para peixes, tartarugas-marinhas e outros predadores.


Afinal, existe água-viva em Ilhabela?

Sim. E a presença pode aumentar significativamente no verão.

Ilhabela está localizada em um ponto estratégico do Canal de São Sebastião, área influenciada por ventos, marés e correntes que podem transportar águas-vivas e caravelas-portuguesas (Physalia physalis) para a costa. Observações recentes confirmaram registros dessas espécies em diferentes praias do arquipélago.

As águas-vivas podem ser transparentes ou apresentar tons rosados, azulados e arroxeados. Já as caravelas-portuguesas, apesar de não serem verdadeiras águas-vivas, têm aparência semelhante, flutuam na superfície e possuem tentáculos que podem ultrapassar 20 metros, causando acidentes graves mesmo sem contato direto com o corpo principal.


Espécies mais comuns em Ilhabela

Entre as espécies que ocorrem com frequência no Litoral Norte, destacam-se:

Olindias sambaquiensis

Provoca irritações leves a moderadas e costuma aparecer em grandes grupos.

Chrysaora lactea

Gera ardência e vermelhidão imediata ao contato.

Caravela-portuguesa (Physalia physalis)

Apesar de não ser uma água-viva, seu veneno é mais potente. Pode causar queimaduras severas, bolhas e, em casos raros, reações sistêmicas.

Por isso, ao identificar qualquer exemplar na areia ou no mar, a recomendação é não tocar e manter ampla distância.


Por que elas aparecem mais no verão?

Diversos fatores contribuem para a maior concentração desses organismos durante a estação:

  • Águas mais quentes: aceleram o ciclo de vida e favorecem a reprodução.

  • Aumento de nutrientes: fenômenos como ressurgência trazem alimento para superfície.

  • Redução de predadores naturais: quedas populacionais de algumas espécies de peixes e tartarugas afetam o equilíbrio.

  • Mudanças nas correntes e marés: transportam grupos de águas-vivas para áreas costeiras.

  • Ambientes artificiais: píeres, quebra-mares e marinas servem de abrigo para formas jovens.

Portanto, o verão reúne todas as condições para um pico desses organismos, tornando o avistamento mais frequente.


Como agir em caso de contato com água-viva ou caravela?

O atendimento correto nas primeiras horas é essencial para evitar complicações. Veja o que fazer:

  • Não lave com água doce, pois ela ativa ainda mais o veneno.

  • Retire tentáculos visíveis com pinça ou luvas, sem esfregar a pele.

  • Lave com água do mar ou aplique vinagre por 15 a 30 minutos.

  • Use compressas frias de soro fisiológico por 5 a 10 minutos.

  • Procure atendimento médico se houver dor intensa, náuseas, desmaio, dificuldade para respirar ou reações alérgicas.

  • Acione o SAMU – 192 ou vá ao Pronto Atendimento mais próximo em casos graves.

Além disso, crianças, idosos e pessoas com alergias devem ser avaliados imediatamente.


Segurança nas praias e preservação da biodiversidade

Tartarugas-marinhas são predadoras naturais das águas-vivas e, por isso, também podem ser vistas próximas às praias durante esse período. A orientação é não se aproximar nem tentar tocá-las — essa atitude protege o animal e evita acidentes.

 

Ilhabela mantém programas contínuos de monitoramento da fauna marinha e campanhas para orientar turistas e moradores sobre segurança e preservação. A convivência responsável com a biodiversidade é fundamental para manter o equilíbrio ambiental do arquipélago.

Fonte: Prefeitura de Ilhabela/SP

 

 

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