Um cargueiro movido a vento parte de São Sebastião carregado com café e cacau brasileiros rumo à França — inovação no transporte sustentável.
Na busca por rotas mais sustentáveis no transporte marítimo, surge uma iniciativa bastante inovadora: o cargueiro movido a vento Anemos, da empresa francesa TransOceanic Wind Transport (TOWT), está em fase de expansão e deve realizar uma viagem partindo do Brasil com destino à Europa, carregado de café cru e cacau.
Segundo relato, o navio passará pelo porto de São Sebastião (SP) para embarque de aproximadamente 600 toneladas de café e 11 toneladas de cacau da Amazônia. A iniciativa reflete a tendência global de descarbonização do setor marítimo.
O navio e a empresa por trás da iniciativa
O Anemos foi construído pela TOWT, com o objetivo de transportar cargas utilizando energia eólica como propulsion principal. Segundo a empresa e a imprensa especializada:
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O navio possui capacidade para cerca de 1.000 a 1.100 toneladas de carga e mede aproximadamente 81 metros de comprimento, com dois mastros de vela totalizando cerca de 2.200 m² de pano.
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Na sua primeira travessia transatlântica (de França para Nova York), transportou 1.000 toneladas de carga premium, como vinho e uísque, com uma redução de emissões de CO₂ estimada em até 90 % comparada a navios convencionais.
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A TOWT afirma que a tecnologia permite que o navio opere até 95 % do tempo com propulsão à vela, em condições favoráveis de vento.
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A empresa tem como foco cargas de valor agregado, como café, cacau, rum e vinho, o que permite absorver o custo “premium” de um transporte mais lento, porém mais limpo.
Com isso, o Anemos representa uma ponte entre produção agrícola de países exportadores (como o Brasil) e mercados consumidores europeus, com menor impacto ambiental.
Impactos para o Brasil e para o mercado de café & cacau
No Brasil
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Para produtores de café e cacau, a utilização de navios à vela pode abrir um diferencial de marketing: “transportado com zero ou quase zero emissões” pode agregar valor à cadeia.
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Pode incentivar cooperativas, associações ou exportadores a explorar logísticas mais verdes, o que se alinha com demandas de grandes compradores internacionais por sustentabilidade e rastreabilidade.
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Do ponto de vista regional (ex: São Paulo, Minas, Espírito Santo, Pará), essa operação pode gerar visibilidade para as origens brasileiras desses produtos e fortalecer a inserção no mercado premium europeu.
No mercado global
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O uso desse tipo de navio evidencia uma tendência: o setor marítimo, altamente emissor de gases de efeito estufa, começa a adotar alternativas como a vela, híbridos ou sistemas assistidos por vento.
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Para o café e cacau, mais caros por tonelada que grãos genéricos, esse tipo de transporte se torna viável economicamente — o custo extra pode ser absorvido pelo valor agregado ou pela certificação de “emissões reduzidas”.
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A operação ajuda a antecipar cenários regulatórios mais exigentes sobre emissões no transporte marítimo, conforme políticas internacionais de clima avançam.
A iniciativa de transportar café e cacau brasileiros a bordo de um navio movido a vento, como o Anemos, representa um passo significativo rumo a cadeias de exportação mais sustentáveis e promove reflexões sobre como o Brasil pode se posicionar como fornecedor de produtos agrícolas premium com logística de menor impacto ambiental.
Para que esse tipo de operação se torne rotina, será preciso que produtores, exportadores, armadores e compradores se alinhem em termos de tempo, custo, certificação e comunicação.

